Já escrito

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Poesia, História as subversivas

Foto By Amadora
Centro Histórico de São Luís do Maranhão

Subversiva - Ferreira Gullar


A poesia

quando chega

não respeita nada.

Nem pai nem mãe.

Quando ela chega

de qualquer de seus abismos

desconhece o Estado e a Sociedade Civil

infringe o Código de Águas

relincha

como puta

nova

em frente ao Palácio da Alvorada.



E só depois

reconsidera: beija

nos olhos os que ganham mal

embala no colo

os que têm sede de felicidade

e de justiça



E promete incendiar o país



terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Saindo dos trilhos ..Ganhando a estrada

Foto : Amadora

Todo mundo

Todos lemos menos do que deviamos as entrelinhas
Todos perccebemos menos do que poderiamos os pontos óbvios
Todos são poucos, quando muitos se omitem.


Tout Le Monde - Carla Bruni

Tout le monde est une drôle de personne,
Et tout le monde a l'âme emmêlée,
Tout le monde a de l'enfance qui ronronne,
Au fond d'une poche oubliée,
Tout le monde a des restes de rêves,
Et des coins de vie dévastés,
Tout le monde a cherché quelque chose un jour,
Mais tout le monde ne l'a pas trouvé,
Mais tout le monde ne l'a pas trouvé.

Il faudrait que tout le monde réclame auprès des autorités,
Une loi contre toute notre solitude,
Que personne ne soit oublié,
Et que personne ne soit oublié

Tout le monde a une seule vie qui passe,
Mais tout le monde ne s'en souvient pas,
J'en vois qui la plient et même qui la cassent,
Et j'en vois qui ne la voient même pas,
Et j'en vois qui ne la voient même pas.

Il faudrait que tout le monde réclame auprès des autorités,
Une loi contre toute notre indifférence,
Que personne ne soit oublié,
Et que personne ne soit oublié.

Tout le monde est une drôle de personne,
Et tout le monde a une âme emmêlée,
Tout le monde a de l'enfance qui résonne,
Au fond d'une heure oubliée,
Au fond d'une heure oubliée.

Todo O Mundo

Todo o mundo é uma pessoa engraçada
E todo o mundo tem a alma emaranhada
Todo mundo tem uma infância que ressoa
No fundo de um bolso esquecido
Todo mundo tem restos de sonhos
E cantos de vida devastados
Todo mundo procurou alguma coisa um dia
Mas todo mundo não a encontrou
Mas todo mundo não a encontrou

Seria preciso que todo mundo pedisse junto às autoridades
Uma lei contra toda nossa solidão
Que ninguém seja esquecido
E que ninguém seja esquecido

Todo mundo tem somente uma vida que passa
Mas todo mundo não se lembra disso
Eu vejo pessoas que a dobram e até mesmo a quebram
E vejo aqueles que nem mesmo a vêm
E vejo aqueles que nem mesmo a vêm

Seria preciso que todo mundo pedisse junto às autoridades
Uma lei contra toda nossa indiferença
Que ninguém seja esquecido
E que ninguém seja esquecido

Todo mundo é uma pessoa engraçada
E todo mundo tem a alma emaranhada
Todo mundo tem uma infância que ressoa
No fundo de uma hora esquecida
No fundo de uma hora esquecida

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Palavras vãs

Plenitude , infinitude
Talvez meros gracejos mentais
Talvez só um suspiro do inconsciente
Talvez só um minusculo pedaço de nós deliberadamente chamando atenção
Talvez só palavras
Só um tempo vão
Só um vão momento
Talvez só um caminho a mais
Mais uma opção em meio aos tantos meios já percorridos
Uma Nova corrente , uma nova gestação
Talvez uma nova ponte
Algo novo , e só novo
O bastante pra calar os temores
Desafogar os silêncios e conduzir adiante

Novos anos, novos tempos?
novas criaturas ?

Dos desejos que faço no novo ano ..
Faça minhas as palavras de Frejat ..
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado que exista amor pra recomeçar !

Amor pra recomeçar - Frejat

Eu te desejo
Não parar tão cedo
Pois toda idade tem
Prazer e medo...
E com os que erram
Feio e bastante
Que você consiga
Ser tolerante...
Quando você ficar triste
Que seja por um dia
E não o ano inteiro
E que você descubra
Que rir é bom
Mas que rir de tudo
É desespero...
Desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar
Prá recomeçar...
Eu te desejo muitos amigos
Mas que em um
Você possa confiar
E que tenha até
Inimigos
Prá você não deixar
De duvidar...
Quando você ficar triste
Que seja por um dia
E não o ano inteiro
E que você descubra
Que rir é bom
Mas que rir de tudo
É desespero...
Desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar
Prá recomeçar...
Eu desejo!
Que você ganhe dinheiro
Pois é preciso
Viver também
E que você diga a ele
Pelo menos uma vez
Quem é mesmo
O dono de quem...
Desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar...
Eu desejo!
Que você tenha a quem amar
E quando estiver bem cansado
Ainda, exista amor
Prá recomeçar
Prá recomeçar
Prá recomeçar...


2011 .. !

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Certeza

O amor é ridículo
Despossuído de qualquer sentido
Ele nos cala , nos torna tolos
Nos faz escrever sobre ele , mesmo sabendo que a maioria daqueles que te irão ler , já o conhecem e  não precisam de mais uma definição
Ele é ridículamente doce
Estupidamente carente
Exageradamente presente
E pra sempre dono da eternidade
Não há como desvencilhar o ato de amar do resto de nossos dias
Ele é fruto e gestante
Ele é a travessia constante de vidas , num mundo alheio .. de pessoas alheias .
Ele . O amor é união.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Eu não vou renunciar a mim

Por que não aquele beijo pra selar a noite 
Por que me arraigar tanto em minhas honras 
Por que costurar meu peito com meu orgulho
Por que te atropelo sempre 
Levando em meu encalço teus sentimentos 

Desculpa

Te olho nos olhos e você reclama
Que te olho muito profundamente.

Desculpa,
Tudo que vivi foi profundamente...
Eu te ensinei quem sou...
E você foi me tirando...
Os espaços entre os abraços,
Guarda-me apenas uma fresta.

Eu que sempre fui livre,
Não importava o que os outros dissessem.

Até onde posso ir para te resgatar?

Reclama de mim, como se houvesse a possibilidade...
De me inventar de novo.

Desculpa...se te olho profundamente,
Rente à pele...
A ponto de ver seus ancestrais...
Nos seus traços.

A ponto de ver a estrada...
Muito antes dos seus passos.

Eu não vou separar as minhas vitórias
Dos meus fracassos!

Eu não vou renunciar a mim;

Nenhuma parte, nenhum pedaço do meu ser
Vibrante, errante, sujo, livre, quente.

Eu quero estar viva e permanecer
Te olhando profundamente." 
- Ana Carolina

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Passos adiante

"Para encher um vazio 
Ponha de volta aquilo que o causou.
Baldado cobri-lo
Com outra coisa - Sua boca mais se escancarar - 
Não se pode soldar o abismo 
Com Ar."

Emily Dickinson

Os passos seguintes são sempre os mais incertos 
Permeados de pressão e covardia 
Eles são a tradução de nossas mentes
São como interagimos com o mundo 
Escolher 
É enfim o princípio e o Fim de tudo 
É a definição e o contraconceito que nos preenchem 
São nossos limites ultrapassados 
São nossos abismos
Para os quais damos um novo passo a cada dia 
com "Todo amor que houver nesta vida"

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Duplicidade

De quantas faces é feito nosso Ego ?
De quantos medos são construídas nossas fortalezas
E por quanto mais ter-se-a que esperar até que já não seja necessario mentir.

Ate que ponto se trata de mentira ,
Duplicidade é inconsciente, é inconstante, precisa, significante.
Esta duplicidade é caótica, aterrorizante
Nos coloca em permanente sobressalto
Apreensivos sobre qual parte de nós enfim vencerá , e quando

Isto é .. se realmente houver um vencedor.

" Eu não tenho tempo pra falar teu nome 
  Eu não tenho nome pra você dizer..
  Meu café jamais vai matar tua fome 
  nada que tu traga vai me apetecer"
- Escudos ( Maria Gadú)

Sabor de tempo novo

" A paz é Frágil"

Como são delicados os detalhes mais importantes que regem nossas vidas. Como são Frágeis os sentimentos que alimentamos, e quão fugitivos são os sabores que deles extraímos. Como são puros os por menores que relegamos , e como são caros os arrependimentos que tardamos a perceber. Como são pobres os seres que não amam, e como é claro o ilimitado ser humano.

"Com você eu sinto o céu aberto"

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Brilho eterno de uma mente sem lembranças


Noite a todos .. 
Bom ,Estava relembrando alguns bons filmes .. então porque não comentar sobre eles ..
Mais sugestões por favor .. compartilhem 

"Brilho eterno de uma mente sem lembranças" com Jim Carrey  e a Kate Winslet..
Gosto tanto , acredito que porque além da troca de personagens entre os atores , tipo o Jim Carey fazendo um papel atípico a sua carreira ate então, e o mesmo pra Kate Winslet, Alem de fugir da temporalidade comum aos filmes Hollywoodianos ... que em geral são extremamente explicadinhos .. me sinto meio latina-americana burra assistindo os mesmos , e o que é pior a gente se acostuma a isso , daí renegamos nosso cinema , tenso. Bom , mas esse é bom , como tantos outros norte americanos ou não...
Mas esse ai fala de algo mais .. das prisões humanas, de nosso lado exageradamente afetivos, carentes ,sedentos por sociedade, contato, e ao mesmo tempo confusos e principalmente contraditórios.

Somos os porques que fazemos. Pertencemos sem apegos ao mundo que criamos . E querendo ou não o que mais assusta é nossa capacidade de destruir-lo pra reiniciar tudo outra vez. 
O Amor .. é um brilho eterno, ate mesmo numa mente sem lembranças.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Manhã

"Ando tão a Flor da pele que qualquer beijo de novela me faz chorar"


Numa dessas manhãs em que os dias parecem menos carregados 
Em que os corpos estranhamente amanhecem mais leves 
Nessas manhãs é que nada faz sentido 
E nossas buscas recomeçam 
E os medos ficam menores 
E os pormenores que nos amedrontavam diminuem 
Sem lógicas ou motivos 
Apenas por ser uma boa manhã
"As pessoas que mais admiro são aquelas  que nunca acabam "

Feita para a eternidade .



sábado, 13 de novembro de 2010

Velho

O tempo se tranporta entre os medos , e se retém atentamente naqueles que mais o temem , 
Ele dialoga com as angustias humanas 
Porque?
Este mesmo tempo é o pedagogo da nossa existência
Nosso maior e mais severo Educador

"Envelhecer é fato não da pra Fingir"





Habitando de Amor

Amor.

Gesto , Emancipação !
Não consigo conceber o amor como gesto de aprisionamento, alias qualquer forma que me retenha antes de tudo me perde .
Bicho arredio , talvez. Detesto a presunção de onipresença dos amantes, antes de nos tornarmos um só , somos cada um em si , por si , e para todos , somos e permanecemos sociáveis mesmo depois de construir mutuamente o amor. Sim porque amor não é achado , tão pura e simplesmente, é também construção .
Somos e estamos em amor, estado impreciso de insistir nas boas faces , nos bons lados das coisas todas , em amor ao mundo, ao tudo , ao cosmos e ate a desordem ..
"Dias sim dias não , eu vou sobrevivendo sem um arranhão"


Sou o pedaço de cada grão jogado fora
Me construo dos restos
O que de mim deserta
É nada além do que já não me completa
Tenho esvaziado os cantos
Desafogado os prantos
Pra deixar mais vazio os espaços
Pra deixar mais prenhe de espaço o que antes abarrotava-se de vazios

Foto de Fernando Nascimento

sábado, 6 de novembro de 2010

cativa

cativa e some
foge outra vez entre o mesmo vento que te trouxe
corre noutra direção
parte mais uma vez , pra nunca
ou ate amanhã
fecha-te em ti mesmo
me exila de ti
me sufoca em mim
e me dane
como o engano mais sincero que já tive.

Um poema a mais .. Elisa diz :

De ELISA LUCINDA
Euteamo e suas estréias 

Te amo mais uma vez esta noite
talvez nunca tenha cometido  “euteamo”
assim tantas seguidas vezes, mal cabendo no fato
e no parco dos dias.
Não importa, importa é a alegria límpida
de poder deslocar o  “Eu te amo”
de um único definitivo dia
que parece bastá-lo como juramento
e cuja repetição, parece maculá-lo ou duvidá-lo...
Qual nada!
Pois que o   euteamo é da dinâmica dos dias
É do melhoramento do amor
É do avanço dele
É verbo de consistência
É conjugação de alquimia
É do departamento das coisas eternas
que se repetem variadas e iguais todos os dias
na fartura das rotações e seus relógios de colmeias
no ciclo das noites e na eternidade das estréias:
O sol se aurora e se põe com exuberância comum e com
novidade diária
e aí dizemos em espanto bom:  Que dia lindo!
E é!  Porque só aquele dia lindo
é lindo como aquele.
Nossa sede, por mais primitiva,
é sempre uma
loucura da falta inédita
até o paraíso da água nova
no deserto da nova goela.
Ela, a água,
a transparente obviedade que
habita nosso corpo
e nos exige reposição cujo modo é o
prazer.
Vê:  tudo em nós comemora
o novo milenar de si
todas as horas:
Comer é novidade
Dormir é novidade
Doer é novidade
Sorrir é novidade
Maravilhosa repetitiva verdade que se
expõe em cachos a nosso dispor
variando em sabor e temor e glória
Por isso te amo agora como nunca antes
Porque quando te amei ontem
eu te amava naquele tempo
e sou hoje o gerúndio daquela disposição de verbo
Te amo hoje com você dentro
embora sem você perto
Te amo em viagem
portanto em viragem diferente da que quando
estava perto
Meu certo é alto, forte
Te amo como nunca amei
você longe, meu continente, meu rei
Eu te amo quantas vezes for sentido
e só nesse motivo é que te amarei.
(Da série  “Eternidades Cotidianas”)

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Fidelidade

Se não for pra ser fiel não me tomes entre teus olhos
nao me colha de minha selva
nem me perturbes com amor
nao me entendas ou ao menos tente
nao me digas
nao me exale
esse teu erfume tom de madeira
esse teu charme

Se não for pra ser fiel não me lamente
nao me tente
nao recue
se nao for pra se fiel não me ame
nao me dane
nem me tenha .


Foto : Miguel Queirós Pinto



Casamento
Adélia Prado

Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.
O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.

O que faz da Fidelidade real , é em verdade a intensidade com que vivemos os momentos
cada instante que é saboreado, se faz mais humano , mais cheio de amor. Mais eterno.
Ainda que a "Solidão fim de quem ama" um dia separe, ainda assim haverão os momentos eternamente vividos, Ainda assim .. ficará fiel o sentimento que existiu.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

"Dias melhores pra sempre ..."

Os laços que nos unem são tão solúveis quanto o próprio pó que um dia lhes cobrirá
nossas relações embora frágeis são em nós aquilo que de mais concreto e infinito possuímos
São as contradições nas quais nos misturamos, que fazem de uma doce mistura nossa razão e nossa insensatez
Nossas capacidades e fraquezas
Nossos fins e nossos recomeços
São este emaranhado de divergências que nos fazem enfim mais humanos a cada dia
Menos animalescos ,
Menos sós.

Foto : Rejane Wolff


Ando tão à flor da pele
Qualquer beijo de novela
Me faz chorar
Ando tão à flor da pele
Que teu olhar "flor na janela"
Me faz morrer
Ando tão à flor da pele
Meu desejo se confunde
Com a vontade de não ser
Ando tão à flor da pele
Que a minha pele
Tem o fogo
Do juízo final...(2x)

Barco sem porto
Sem rumo, sem vela
Cavalo sem sela
Bicho solto
Um cão sem dono
Um menino, um bandido
Às vezes me preservo
Noutras, suicido!

Ando tão à flor da pele
Qualquer beijo de novela
Me faz chorar
Ando tão à flor da pele
Que teu olhar "flor na janela"
Me faz morrer
Ando tão à flor da pele
Meu desejo se confunde
Com a vontade de nem ser
Ando tão à flor da pele
Que a minha pele
Tem o fogo
Do juízo final...(2x)

Barco sem porto
Sem rumo, sem vela
Cavalo sem sela
Bicho solto
Um cão sem dono
Um menino, um bandido
Às vezes me preservo
Noutras, suicido!

Oh, sim!
Eu estou tão cansado
Mas não prá dizer
Que não acredito
Mais em você
Eu não preciso
De muito dinheiro
Graças a Deus!
Mas vou tomar
Aquele velho navio
Aquele velho navio!

Barco sem porto
Sem rumo, sem vela
Cavalo sem sela
Bicho solto
Um cão sem dono
Um menino, um bandido
Às vezes me preservo
Noutras, suicído!

domingo, 31 de outubro de 2010

O tempo se cala frente a felicidade humana 
Se percebe impotente diante da nossa capacidade de lhe superar

Num domingo de sol , nada mais me basta
De tempos em tempos a tristeza se desgasta
e o que nos resta é ser Feliz

Legião Urbana - Quase sem Querer


Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso,
Só que agora é diferente:
Estou tão tranqüilo e tão contente.
Quantas chances desperdicei,
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém?!...
Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia.
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira,
Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saber tudo.
Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.
Tão correto e tão bonito;
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos!
Sei que, às vezes, uso
Palavras repetidas,
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?
Me disseram que você
Estava chorando
E foi então que eu percebi
Como lhe quero tanto.
Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.

sábado, 30 de outubro de 2010

Ao pó da letra



Na expressão quase um castigo
Na fala o perigo que murmura contravenção
Na lei mal dita, a pronuncia tal qual a escrita se perdem num vão
Eu mastigo o silencio e prendo o momento nos lábios
Fujo ao pretérito úmido
Onde qualquer rumo é prumo
Onde todo sim é o começo de um não
Enlouqueço o verbo
Dou adjetivo ao libido
E faço da frase o intimo momento do vinculo
E  a palavra perde seus eixos
Mergulha no próprio gracejo
E se cobre em  excitação
Entre as linhas figura o tempo
Entre as marcas o seu desleixo
Entre minhas curvas a indignação
E na passagem dos sons
O que permanece é a alma
Seu silencio irritante
Que de nada serve a não ser induzir ao pensamento
Num silencio que  nos fita os olhos e nos encara a covardia

Ao lado oposto de quem vê

É preciso ser a Contradição
Ser o erro
a contravenção
È necessario o descaso
e a partida
o desmazelo
o descaminho
a perdição
São nos caóticos rumos que se consertam os prumos e se regeneram os apelos
que se perdem pelos pêlos todo o pudor sem razão
É pelo trajeto sem volta
é pelo olhar sem remorso que constroem a imensidão
è na luta diária pelo beco contrario
é no nado ao errado que se encontra  a premissa perdida
a lei nao advertida , o que nao exigiu mensão
sao nos passos falsos que verdadeiramente se acerta o passo, rumo ao inesperado
rumo ao que se deixou num armario sujo, relegado no fim às inundações
sao nos  caóticos dias estranhos , em que tudo foge dos planos que se percebe o fundo de cada questão
É neste sentido torto que me refaço no esgoto que me cubro dos restos, que me permito cão
pois de longe ja percebo que no ato desgarrado e na febre mal curada é que mora a exatidão
É na mistura sem sentido, que finda todo perigo
É nela  que tudo faz-se de nada
Só pra nos pirar a razão

É a liturgia humana que me envergonha
que me palpita a carne
e me faz calar frente a primeira face simples
que me enaltece as misérias
e as consagra
É este religioso desprezo dos homens
que os fazem tão pobres e os relega a exaustão

Mas por mais rosas e lírios que me dês, 
Eu nunca acharei que a vida é bastante. 
Faltar-me-á sempre qualquer coisa, 
Sobrar-me-á sempre de que desejar, 
Como um palco deserto.

                                                                Fernando Pessoa

domingo, 24 de outubro de 2010

O teatro e as estréia

Cada dia uma nova entrada ,
A cada passo um novo jeito de caminhar
Sem tanto sentido  a vida se esquia , numa lenta preguiça
Imbuída de toda e possível  letargia
Animada pelas cordas do violão de Caetano
Ninada pela doce voz de Betânia
Ela se faz , se molda
Ela tenta
No intento pálido de dar densidade ao caminho
De se fazer menos flutuante
De enfim palpar
Sentir, beliscar a pele úmida do medo, a gélida certeza da impotência
 A vida, o tempo, os anjos cochos todos se igualam em inveja ..
Todos se calam em contemplação ao fim
Todos se igualam em silencio
Por medo, por credo,
Por desprezo

domingo, 17 de outubro de 2010

resposta do tempo

O tempo se encarrega de trazer a tona as falhas ocultas
se propõe a negar as indecisões, alterar as lembranças,
ensinar nas tragédias, este tempo de quem nos falam os mais vividos
zomba de nossa vulnerável carne
e sua incessante gula
e seu inútil charme
este mesmo tempo, que de tão  tolo esqueceu-se no eterno
relegou a nos humanos a doce dádiva do fim
este mesmo tempo , se envaidece de suas capacidades
mas empobrecido pela lastima de sua solidão
contempla sua ineficácia em acompanhar a vida
e o deslizar de seus passos

O tempo que torna as palavras mudas
que se faz a clareza do pensamento
que se enaltece na essência da reflexão
É o mesmo tempo que preenche de poeira os espaços vazios deixados pelo silencio
É quem emudece o sentimento
E esclarece os maus ditos , e entendidos

Sobretudo este tempo,
dono de sua inveja à humanidade
é quem cala a enfermidade
e permanece
é quem nos envelhece
é quem da sentido ao correr dos dias
a simplicidade das trajetórias
as tímidas e tolas glórias
É quem empresta sentido
ao começo e ao fim da História.

Resposta ao tempo - 

Aldir Blanc/Cristovão Bastos


E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Prá tentar reviver

No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, e ele não vai poder
Me esquecer

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Scared - Thiago Iorc
"Parado lá fora , tomando conta de mim. Eu sei que não fiz nada de errado, há bastante tempo para nós vermos. Começamos a limpar a bagunça que fizemos, nós continuamos a viver nossas vidas com estupidez, como se tivéssemos algo a perder.Tanta tranqüilidade egoísta , apenas para não tentar nada novo
E eu , acho que deveria tomar uma atitude porque, Todo mundo tem medo, as vezes."

domingo, 10 de outubro de 2010

costume mundano



















Costumava adquirir medos contemporâneos
faze-los minha propriedade
costumada silenciar meus enganos
Satirizar meus planos e disseminar minhas loucuras..
pertencia a um imaginário torto
a uma candura sem índole
a uma enganação plena
sentia-me em comum acordo com o mundo
bebendo de sua fonte seca
comendo de seu sal e de sua terra
temperando de enganos o sólido chão
sobre o qual desabamos
costumava acostumar-me
acostumava-me com facilidade
facilitava as entradas e negligenciava saídas indesejadas
Ignorava
Pertencia , sem perceber se sabia no que estava sendo sentenciada

Papo

"Vamos pro Lounge , beber um vinho safra ruim .. e conversar sobre a tv .". Maria Gadu - Lounge

Nas melhores conversas as mais sinceras palavras
Nunca foi preciso muito, sem esforço minha melhor parte salta ate você
Sem murmúrios, sem pausas ou reflexões
tudo que precisa ser dito o é
no mais , nada mais é falado , e enquanto tudo é abordado
terminamos sempre falando em nós ..
egoístas sempre sei que seremos
falando de tudo
Que nos preenche .

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Amadora

Amar e doar-se me parece pouco constante..
tal qual a vida ..
por ter muito a dizer .. alguns atualmente me escutando .. esta feito tal lugar
esta posta a mesa .. os pensamentos
uma trama , cordialmente chamada vida esta esta sendo naturalmente traçada indepedente de nós
ou de nossas vontades e aptidões
falar como tal trama vem sendo feita com as linhas do meu corpo e mente são os objetivos aqui ..
espero que nao agrade .. que desafie ... que multiplique os porques
nao queremos a mesmice, nao é mesmo ?!
então não  a teremos .
Boa noite a todos ..
incia aqui os ecos da nossa historia in blog ..

Estejam bem , até mais.