Já escrito

sábado, 30 de outubro de 2010

Ao lado oposto de quem vê

É preciso ser a Contradição
Ser o erro
a contravenção
È necessario o descaso
e a partida
o desmazelo
o descaminho
a perdição
São nos caóticos rumos que se consertam os prumos e se regeneram os apelos
que se perdem pelos pêlos todo o pudor sem razão
É pelo trajeto sem volta
é pelo olhar sem remorso que constroem a imensidão
è na luta diária pelo beco contrario
é no nado ao errado que se encontra  a premissa perdida
a lei nao advertida , o que nao exigiu mensão
sao nos passos falsos que verdadeiramente se acerta o passo, rumo ao inesperado
rumo ao que se deixou num armario sujo, relegado no fim às inundações
sao nos  caóticos dias estranhos , em que tudo foge dos planos que se percebe o fundo de cada questão
É neste sentido torto que me refaço no esgoto que me cubro dos restos, que me permito cão
pois de longe ja percebo que no ato desgarrado e na febre mal curada é que mora a exatidão
É na mistura sem sentido, que finda todo perigo
É nela  que tudo faz-se de nada
Só pra nos pirar a razão

É a liturgia humana que me envergonha
que me palpita a carne
e me faz calar frente a primeira face simples
que me enaltece as misérias
e as consagra
É este religioso desprezo dos homens
que os fazem tão pobres e os relega a exaustão

Mas por mais rosas e lírios que me dês, 
Eu nunca acharei que a vida é bastante. 
Faltar-me-á sempre qualquer coisa, 
Sobrar-me-á sempre de que desejar, 
Como um palco deserto.

                                                                Fernando Pessoa

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