Já escrito

sábado, 30 de outubro de 2010

Ao pó da letra



Na expressão quase um castigo
Na fala o perigo que murmura contravenção
Na lei mal dita, a pronuncia tal qual a escrita se perdem num vão
Eu mastigo o silencio e prendo o momento nos lábios
Fujo ao pretérito úmido
Onde qualquer rumo é prumo
Onde todo sim é o começo de um não
Enlouqueço o verbo
Dou adjetivo ao libido
E faço da frase o intimo momento do vinculo
E  a palavra perde seus eixos
Mergulha no próprio gracejo
E se cobre em  excitação
Entre as linhas figura o tempo
Entre as marcas o seu desleixo
Entre minhas curvas a indignação
E na passagem dos sons
O que permanece é a alma
Seu silencio irritante
Que de nada serve a não ser induzir ao pensamento
Num silencio que  nos fita os olhos e nos encara a covardia

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