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domingo, 17 de outubro de 2010

resposta do tempo

O tempo se encarrega de trazer a tona as falhas ocultas
se propõe a negar as indecisões, alterar as lembranças,
ensinar nas tragédias, este tempo de quem nos falam os mais vividos
zomba de nossa vulnerável carne
e sua incessante gula
e seu inútil charme
este mesmo tempo, que de tão  tolo esqueceu-se no eterno
relegou a nos humanos a doce dádiva do fim
este mesmo tempo , se envaidece de suas capacidades
mas empobrecido pela lastima de sua solidão
contempla sua ineficácia em acompanhar a vida
e o deslizar de seus passos

O tempo que torna as palavras mudas
que se faz a clareza do pensamento
que se enaltece na essência da reflexão
É o mesmo tempo que preenche de poeira os espaços vazios deixados pelo silencio
É quem emudece o sentimento
E esclarece os maus ditos , e entendidos

Sobretudo este tempo,
dono de sua inveja à humanidade
é quem cala a enfermidade
e permanece
é quem nos envelhece
é quem da sentido ao correr dos dias
a simplicidade das trajetórias
as tímidas e tolas glórias
É quem empresta sentido
ao começo e ao fim da História.

Resposta ao tempo - 

Aldir Blanc/Cristovão Bastos


E o tempo se rói
Com inveja de mim
Me vigia querendo aprender
Como eu morro de amor
Prá tentar reviver

No fundo é uma eterna criança
Que não soube amadurecer
Eu posso, e ele não vai poder
Me esquecer

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